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Monogamia é utopia!
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Nunca sofra por antecipação, porque se tudo correr bem, você sofreu à toa e se correr mal, você vai sofrer duas vezes.
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Quem tapa minha boca
Não perde por esperar
O silêncio de agora
Amanhã é voz rouca
De tanto gritar.
Quem tapa meus olhos
Nada esconde de mim
Sei seu nome e o seu rosto,
O lugar que estou
Sua noite sem fim.
Quem tapa meus ouvidos
Me faz escutar mais
Igualei-me às muralhas
E o silêncio mais fundo
Guarda o rumor do mundo.
Quem me quer sem memória
Erra redondamente.
Lembro-me de tudo
E, cego, surdo e mudo
Até do esquecimento.
E quem me quer defunto
Confunde verão com inverno.
Morto, sou insepulto.
Homem, sou sempre vivo.
Povo, sou eterno
(Lêdo Ivo)
Tudo começou em 1982, uma com 3 anos, a outra com 2, cada uma com seu irmão, com menos de 1 ano de idade. O pai de uma e a mãe da outra, colegas de profissão, calharam de trabalhar na mesma assessoria de imprensa, a Unipress, grande ícone do setor nos anos 80. De colegas, viraram grandes amigos, e o mesmo aconteceu, por tabela, com os filhos, que cresceram juntos.
Reunidos em finais de semana no parque, festinhas de aniversário, ginganas de Dia das Crianças, caça ao tesouro na Páscoa, e mesmo na maratona de pedir doce de porta em porta, quando Halloween nem era moda no Brasil. As duas meninas, mais velhas, chefiavam sempre seus irmãos-caçula e se metiam em várias enrascadas. Além disso trocavam pilhas e mais pilhas de papel de carta, e juntas tinham uma coleção que formava quase um milhar.
De crianças, cresceram, e na adolescência partilharam muita coisa uma com a outra, o primeiro beijo, o primeiro namorado, a primeira briga de amor, os cadernos de enquete (super-moda nos anos 90), o gosto musical (eram das poucas adolescentes amantes de MPB) e sempre faziam questão de participar das rodas de violão, organizadas por seus pais. Faziam planos para um futuro, que ambas previam que seria brilhante, muitos filhos, que assim como elas, brincariam juntos e dividiriam aquela amizade tão grande.
Uma era uma excelente estudante de inglês, que contava os meses para partir em intercâmbio e se tornar a mais brilhante professora da língua britânica, a outra dançava por qualquer canto, e gastava muitas horas do seu dia em treinos e ensaios e se imaginava a nova Margot Fonteyin. Uma era uma são-paulina pró-forme, a outra uma palmeirense doente, com pôsteres de Edmundo e Veloso para tudo quanto é lado.
Cresceram, viajaram muito juntas, e numa dessas viagens, perceberam que, apesar do carinho, tinham uma vida muito diferente pela frente. Uma se embrenhou para o lado do metal, e começou a andar com aquele povo cabeludo que só se veste de preto, a outra se manteve amante da MPB e continuava dançando por aí. E desde essa viagem, apesar da grande amizade que havia entrea as duas e de toda uma vida compartilhada, viram que, naquele momento, não adiantava muito continuarem andando juntos, pois ali, naquele ponto, não tinham muito que dividir uma com a outra.
Os pais continuaram amigos e se vendo sempre, as duas, porém, se falavam através de cartas, e-mails, msn – posteriormente, Orkut – e nunca esqueciam do aniversário uma da outra, ou mesmo de mandar um cartão bem bacana no Natal.
A vida foi em frente, a bailarina virou jornalista, a professora de inglês virou designer gráfico e a vida seguia andando. A bailarina se apaixonou de verdade e acabou casando, e a designer, apesar de não ver a amiga há mais de 5 anos, esteve presente nesse dia tão especial, dizendo que nunca seria capaz de perder aquele momento. Foi um dia feliz, para ambas.
O tempo correu, e chegou a Páscoa, o tão esperado feriado dos chocolates (especial para essas duas amigas que tinham mais uma coisa em comu: eram chocólatras!), no abril seguinte ao casamento da bailarina. No sábado que antecede a tão esperada troca de ovos, ela recebe um telefonema de seu pai, dizendo que precisava vê-la. Ela vai até a casa do pai e ele diz que recebeu a notícia mais triste daquele ano de 2009 (ainda que ele estivesse só no começo) – a amiga, de tanto anos, tinha decidido viajar sozinha naquele feriado, alugou um quarto de hotel no interior, se entupiu de remédios e foi tomar um banho de banheira, banho esse que nunca acabou, e da qual ela nunca mais retornou.
A amiga ficou em choque e sem reação, e carregou em si uma tristeza, tão grande, tão grande, que por mais que se esconda e se camufle, nunca acaba. Foram muitas e muitas noites em que se entregava ao pranto antes de conseguir dormir, momentos esses em que se culpava demais, afinal não tinha estado próxima e presente na vida da amiga num momento em que ela precisou tanto, e não parava de pensar que, talvez, sua presença pudesse ter dado um rumo diferente à vida da amiga.
Essa tristeza e essa culpa, volta e meia reaparece. Seis meses se passaram, mas a dor não passou (e talvez não passe nunca). Na próxima semana seria aniversário da amiga, que completaria 29 anos. O Orkut dela não foi apagado, e com a proximidade da data o lembrete da ferrament apare, e surge ali como uma lembrança doída de que ela nunca deixará de fazer parte da história da amiga, mesmo tendo escolhido encurtar seu caminho ao lado de todos aqueles que a amavam e a queriam bem.
As preces e vibrações por ela serão sempre uma constante e a lembrança de tantos momentos especiais, jamais serão apagadas.
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Tá bom. Eu sei que contos de fadas não existem.
…eu queria tanto viver um…
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Hoje acordei e percebi que o meu destino é o amor.
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Quando a gente é livre, até lavar a louça é gostoso!
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Ele me idolatra, me ama tão loucamente que é capaz de cantar no meio da multidão, de sair gritando o meu nome e me fazer dançar nas ruas de qualquer grande metrópole.
Ele me ama, me deseja e me quer feliz, para isso me surpreende todo dia, me dá flores, faz uma serenata na quarta-feira 2 horas da manhã, me manda um e-mail dando bom dia, me manda uma foto fazendo careta, me manda outra triste dizendo que não para de pensar em mim e que tudo que ele quer é que eu esteja em seus braços.
Ele faria tudo por mim, faz tudo para mim e só espera em troca o meu sorriso. Me apóia, me incentiva e diz que eu sou incrível por ser assim, como eu sou. Ele cozinha pra mim, esfrega sorvete no meu rosto e me faz rir até que minha barriga doa. Ele ama a natureza, o ar livre e puro, os animais e as pessoas. Ah, ele ama observar as pessoas comigo, inventamos a história da vida inteira de cada personagem banal que passa por nós.
Ele é romântico e insaciável. É doce quando me faz voltar a ser criança em seus poemas mal feitos e suas declarações de amor sem sentido, é amargo quando chora as dores do mundo e da vida deitado em meu colo, é perfeito porque procura em mim seu único consolo e tem em mim mais do que amor, tem vida, alegria, amizade, conforto e carinho.
Ele me diz o que eu quero e não quero ouvir, me dá bronca quando eu jogo a toalha molhada em cima da cama e ouve quietinho quando eu grito com ele na TPM. Ele resolveu que não somos normais, que não temos que ser, que somos especiais porque somos nós, porque ele me encontrou.
Pulamos todas as convenções, fomos direto pra lua de mel, que dura pra sempre porque cada dia é uma novidade, é uma descoberta. E nós viajamos, e como viajamos, pra qualquer lugar, pelo prazer de tomarmos um ônibus e um avião e tirarmos mil e uma fotos que vão para um grande álbum, pra juntarmos todas as nossas memórias boas e, em qualquer momento de crise, ver a felicidade e acalmar tudo e começar tudo de novo.
Ele quer viver cada dia como se fosse o último, sem vergonha de falar o que sente, de sentir, de tocar, cheirar, comer, pensar e, principalmente, sonhar.
No final das contas, o que é bonito vira tristeza, já que ele não existe e estou, mais uma vez, a escrever sozinha sobre uma ilusão, a utopia da minha vida, de ter alguém que seja tão louco por mim que me veja como eu sou e que faça com que eu seja eu mesma.
Ele não tem rosto e não tem corpo ainda, mas eu sei que, de alguma forma, ele me abraça em pensamento toda noite e diz como se fosse no meu ouvido que um dia vai me encontrar. E, cosmos conspirando, ele sabe que eu vou esperá-lo o tempo que for preciso.
Porque é ilusão mas agora está escrito.

