Projeto Quinhentos


#492 Lost by projetoquinhentos
31/03/2009, 15:21
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Às vezes me sinto perdida. Nos sentido literal e figurado. Me perco por não saber onde estou, como, quando e em quanto tempo vou chegar. Ou então, por não saber o que fazer, como agir e me portar diante de alguns fatos.

A primeira situação parece mais fácil. Posso pedir informações, me localizar por mapas, acessar a internet e descobrir novos caminhos. Ou simplesmente seguir em frente, me guiar por referências ou senso de direção, que muitas vezes nem tenho. Contudo, talvez eu continue perdida, mas ao mesmo tempo, conhecerei novos lugares e, quem sabe, eles poderão me levar a alguma saída, algum ponto ou cruzamento, proporcionar descobertas e, logo, esquecerei que estava perdida assim que chegar ‘ali’, ‘aqui’, ‘acolá’.

Por outro lado, a segunda situação envolve todos os pontos da primeira, é engraçado. Mas todos eles de forma abstrata. Me faz perder a referência, a direção que, neste caso, achava que tinha. Continuar perdida, no sentido figurado, muitas vezes me impede de ir além. Perco as paisagens, os lugares, as saídas e todos os pontos. Enxergo encruzilhadas e não sei como sair delas, fico andando em círculo. É como estar num labirinto. Sem querer, ignoro descobertas por estar com a cabeça cheia, seja de informações reais ou irreais.

Enquanto isso, quanta coisa passa por mim e eu, simplesmente, não vejo passar. E o quanto e o que deixo passar poderia alterar tudo? Me dar direções, mudar direções. Não é apenas o fato de seguir em frente. É prestar atenção no caminho. Aquela história de colher as flores, ouvir os pássaros, reparar ao redor. Não fechar os olhos nunca. Qualquer detalhe pode fazer uma enorme diferença.

Eu posso fazer a diferença. Eu escolho os caminhos. Eu decido se continuo em frente ou não. Eu. Mais ninguém.

E decidi seguir. Porém, com os olhos e a mente abertos.



#493 Why so serious? by projetoquinhentos
27/03/2009, 12:48
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Queria ter coragem de tirar uns dias para não ser tão certa, para não levar a vida tão a sério. Esquecer chefe, prazos, contas, responsabilidades. Me cobrar menos, rir mais.

Por que coisas simples são tão difíceis?

[Por Capitu]



#494 Desditos by projetoquinhentos
17/03/2009, 02:58
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Talvez eu me arrependa pelas coisas que faço. Pelas que digo. Ou daquelas que não tive tempo de fazer, ou que quando deu tempo faltou vontade.

Eu gosto de verdades inteiras. Porque meus olhos se enchem d’água quando encontram abraços confortáveis, e eu gosto de me aconchegar em apertos.

São 01h42 e eu deveria dormir. Sim, já me lembraram disso e eu estou realmente cansada. Mas tem um nó, um aperto, uma agoniazinha que me fez apertar o maldito “send”. Talvez eu sinta dessa vez uma ponta de arrependimento.

Provavelmente vou achar que foi melhor assim. É claro que você sabe quem sou eu, e que eu estou pensando em você enquanto gasto minha noite não dormida entre as xícaras de café.

É claro que eu notei as diferenças, e claro que as coisas já não são mais iguais. E eu sinto uma falta absurda de como elas eram. Fui eu quem estragou tudo? Se foi, ainda dá tempo de arrumar?

Você sabe, eu não queria gostar, não queria envolvimento e jurei milhares de vezes que não iria confiar. Talvez não em você, mas quem mandou me contar tantas coisas?

Eu não quero promessas, eu não quero planos, não quero nada que você possa vir a se arrepender por ter dito. Que tal se a gente não dissesse nada, igual o primeiro dia?

 

[por Karen]



#495 Agridoce by projetoquinhentos
16/03/2009, 06:32
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Enquanto esquentava o risoto com couve-flor de ontem, pensei na panela que começava a esquentar. A panela não é minha, assim como a cama. Viver sem passagem de volta e pensar no fim que pode ser o meio é agridoce.

Justificar a incapacidade de descrever algo com o uso da palavra agridoce é vergonhoso.
Não existe algo que não seja agridoce.
Respirar nos mantém vivo, mas o oxigênio provoca o envelhecimento das células e nos aproxima da morte.
Tudo é impermanente.

Ontem sonhei com um vulcão.



#496 Quem tem medo de fantasma? by projetoquinhentos
13/03/2009, 15:14
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Imagino um lugar onde eu possa prender todos os fantasmas que me assombram. Talvez uma pequena caixa ou cofre. Pensando bem, acho que é melhor escolher um sótão, pra que todos caibam sem aperto.

Giro a chave e jogo fora. Lanço ao mar, boto fogo, mando pro espaço. Aquilo que está preso lá dentro jamais poderá sair novamente. Isso também serve para mim: quantas e quantas vezes não fui eu quem chamou de volta um fantasma que há muito tinha ido embora?

Ah, que vida boa! Viver o presente, sem ter que me preocupar com o surgimento repentino de um desses fantasmas do passado que todos temos! Desafetos, situações embaraçosas, ex-namorados e ex-namoradas do meu namorado, nada disso me assombra mais.

Só precisei de alguns dias para perceber que mesmo trancados, eles fazem barulho. Passos, gritos, correntes sendo arrastadas sobre minha cabeça. Tanto trabalho para recolher e encarcerar os fantasmas do meu passado e descubro que mesmo ausentes, eles incomodam. E incomodam muito.

[Por Capitu]



#497 As poucas coisas que aprendi com relacionamentos. by projetoquinhentos
11/03/2009, 17:12
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A primeira grande lição que aprendi com relacionamentos é que as pessoas sempre vão te magoar, hora mais hora menos.

Aprendi que não existe um lugar-comum de relacionamentos, cada um é totalmente diferente do outro.

Aprendi que conversar é mil vezes melhor do que ficar se amassando. Amassar é bom, mas não é tudo.

Aprendi que confiança deve ser conquistada todo dia.

Aprendi que nem todo mundo funciona à distância.

Aprendi que sexo é melhor quando se olha nos olhos.

Aprendi que dar o toco em alguém ajuda a pessoa.

Aprendi que carinho é essencial.

Aprendi que sentar pra tomar refrigerante e falar besteira ajuda em qualquer relacionamento.

Aprendi que as pequenas delícias da vida pedem uma paciência de Jó.

Aprendi que para ser feliz eu não preciso de ninguém, mas se eu tiver com quem compartilhar eu fico muito mais feliz.

E você, o que aprendeu com seu último relacionamento?

[Por Arwen]



#498 Meninas by projetoquinhentos
11/03/2009, 01:20
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E eis que no terceiro filho, meu pai queria um menino, e veio menina de novo. Para se vingar de tal acontecido, ele planejou nomes mirabolantes. Minha mãe foi generosa, e fui agraciada com este que não convém agora.

E em casa, de pequena eu levava bronca porque não era coisa de menina isso. E menina não brinca de carrinho, menina não gosta de chutar bola. Menina gosta de brincar de boneca. Menina penteia o cabelo direitinho. Menina usa cabelo comprido, onde já se viu!

Seu irmão pode, ele é homem. Menina tem que saber cozinhar. Cresci no meio de coisas de menina, sem gostar delas. Nunca gostei de rosa. E aliás, como eu era a segunda menina da casa, tudo meu era amarelo, roxo. Hoje eu tenho trauma. Não tem cor que eu odeie mais do que amarelo. Você não encontra UMA peça amarela no meu armário. Não há coisa amarela que combine com esta que vos fala. Roxo eu aprendi a tolerar. No fundo, me conformei com não poder usar azul, e não querer usar cor de rosa. Misturei ambos.

Aprendi a cozinhar. Acho que faço isso bem, mas meu irmão é melhor. Aliás, ele também levou inúmeras broncas porque cresceu no meio de menina e chorava por tudo. Eu nunca gostei que me vissem chorando. Algumas atividades de menino eu fui proibida. Não podia andar de bicicleta, de patins de skate. Cresci cobiçando tudo isso.

Video game, descontei minhas frustrações. Sempre joguei melhor que meu irmão, meus primos, meus amigos de escola. E era mais rápida no pega-pega corrente, na queimada, era melhor no basquete. Meus maiores amigos sempre foram meninos. E sempre os bagunceiros da turma. Por que diabos aquela menina chora tanto? E por que a outra vive de mexericos? Ah, me deixa!

Acho que eu cresci. Não tenho muita paciência pra maquiagem, mas gasto um bocado em sapatos legais, roupas que me agradem, cremes pro cabelo e hidratantes. Gosto de perfumes, gosto de flores, fiquei bem feliz de todas as vezes em que ganhei buquês. Gosto de chocolate e acredito em TPM. Passo algumas horas da semana de bob, de creme, de touca. Choro em fim de filme, de namoro, de novela. Desacredito nas pessoas e confio em recomeços, como todo mundo.

Quero a sinceridade masculina, na delicadeza feminina.

Não quero machismos. Eu posso tanto quanto ele, e não tenho a obrigação de carregar ninguém nas costas. Não tenho uma força extraordinária porque nasci mulher, nem uma inteligência suprema. Sou igual.

Porque entre machista ou feminista, prefiro ser humana.



#499 Aborto só para ricos? by projetoquinhentos
09/03/2009, 18:23
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Na semana do tal dia Internacional da Mulher (que me encheu os pacovás por causa dos clichés – inclusive dos clichés feminsitas, bien compris) tivemos a notícia da excomunhão dos médicos e da mãe da menina que abortou uma gestação oriunda de estupro por parte do padrasto.

Marcelo Rubens Paiva (em post tuitado pelo Inagaki) falou sobre questão que para mim é a mais séria para as mulheres brasileiras: o direito ao aborto para todas as mulheres. Sim, porque sejamos honestos e realistas: as mulheres ricas podem perfeitamente abortar, não há nada que as impeça (vocês dirão que há a lei – mas a lei não é para ricos nesse país, todos sabem disso, right?)

E em razão de o Brasil ter uma legislação pra lá de ultrapassada no que tange ao aborto foi que me lembrei do projeto Women on Waves (que já esteve no Brasil): uma ONG de aborto assistido que singra os mares do mundo, aporta em países onde este seja proibido, faz palestras, consultas  etc e depois se afasta da costa indo para mares internacionais, onde faz o aborto das mulheres.. Não preciso dizer que há gritarias ensurdecedoras quando a organização está ao largo de países super católicos ou muçulmanos né?

Seria ingenuidade minha acreditar que essa ação resolverá o problema; mas certamente ressalta a importância do tema. Espero que todas as mulheres desse país um dia possam conquistar o direito ao aborto.



#500 Liber(de ver)dade by anarina
08/03/2009, 21:23
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Projeto Quinhentos é um blog com data de validade escrito só por mulheres que, a partir de agora, começam a contagem regressiva até o post de número um. O último.

Seguimos algumas regras, entre elas a de escrever textos com tamanho entre 250 toques e 250 palavras, que podem ser substituídos por uma foto com título ou um vídeo com título.

Publicamos diariamente (se assim for da nossa vontade) em caráter rotativo. Mensalmente trocamos a ordem.

Assinamos com pseudônimos porque acreditamos que há uma palavra fundamental ligeiramente em falta em nossas vidas: liberdade. Preferimos que vocês leiam o que escrevemos, e não leiam porque somos nós as escritoras.




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