Projeto Quinhentos


#499 Aborto só para ricos? by projetoquinhentos
09/03/2009, 18:23
Archivado en: 500 | Etiquetas: , , , , ,

Na semana do tal dia Internacional da Mulher (que me encheu os pacovás por causa dos clichés – inclusive dos clichés feminsitas, bien compris) tivemos a notícia da excomunhão dos médicos e da mãe da menina que abortou uma gestação oriunda de estupro por parte do padrasto.

Marcelo Rubens Paiva (em post tuitado pelo Inagaki) falou sobre questão que para mim é a mais séria para as mulheres brasileiras: o direito ao aborto para todas as mulheres. Sim, porque sejamos honestos e realistas: as mulheres ricas podem perfeitamente abortar, não há nada que as impeça (vocês dirão que há a lei – mas a lei não é para ricos nesse país, todos sabem disso, right?)

E em razão de o Brasil ter uma legislação pra lá de ultrapassada no que tange ao aborto foi que me lembrei do projeto Women on Waves (que já esteve no Brasil): uma ONG de aborto assistido que singra os mares do mundo, aporta em países onde este seja proibido, faz palestras, consultas  etc e depois se afasta da costa indo para mares internacionais, onde faz o aborto das mulheres.. Não preciso dizer que há gritarias ensurdecedoras quando a organização está ao largo de países super católicos ou muçulmanos né?

Seria ingenuidade minha acreditar que essa ação resolverá o problema; mas certamente ressalta a importância do tema. Espero que todas as mulheres desse país um dia possam conquistar o direito ao aborto.


15 comentarios hasta ahora
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Bom, lembra da Bastilha? É… armações à parte, a verdade é que sem movimentação popular político nenhum coloca seu corpo porco pra trabalhar muito menos para legislar sobre o que importa. Só sobre o que lhes rende. Então, somos nós, cidadãos, mulheres e homens, que temos que começar. ONG de fora também só arrecada… estamos aqui… aqui lutamos… nós por nós.

Comentario por ricardo penachi de camargo

Ok, vamos colocar lenha na fogueira, deixando claro que eu sou a favor do aborto.

Questão 1: Se o aborto fosse legalizado, muito mais pessoas fariam sexo sem proteção por ter a garantia do aborto, certo? Assim, as doenças sexualmente transmissíveis não teriam um “boom”?

Opiniões, por favor!

Comentario por Kakah

CLARO QUE NÃO! Em nenhum país que descriminalização esse desequilíbrio aconteceu.

Descriminalizar o aborto é dar à mulher maior autonomia sobre o próprio corpo, e não sinal verde pra fazer qualquer coisa. Abortar não é passear no parque tomando sorvete.

Aproveito e deixo os links pro documentário sobre aborto que fiz como TCC na faculdade.

em seis partes:
1 http://www.youtube.com/watch?v=PGy21f212OY
2 http://www.youtube.com/watch?v=YY3RcmmS0hk
3 http://www.youtube.com/watch?v=k5WlInkenEw
4 http://www.youtube.com/watch?v=lUNvDG7bcLM
5 http://www.youtube.com/watch?v=kfLvyoqoSmc
6 http://www.youtube.com/watch?v=MNt7-giC21c

Comentario por anarina

Bacana Ana, era uma dúvida que eu tinha.
Eu acho que a cultura brasileira favoreceria, num primeiro momento, esse lance de todo mundo fazendo filho e abortando, mas, como você disse, a mulher exercerá direito sobre o seu corpo e, culturamente falando, passaria a valorizar-se mais, certo?

Comentario por Kakah

Até onde eu sei, essa ong não cobra pelo aborto. Muito pelo contrário.

Comentario por Zander

Só para enfatizar a delicadeza da frase da Ana “Abortar não é passear no parque tomando sorvete”, eu não acho que as mulheres se preocupariam menos com engravidar se o aborto fosse permitido. Passar por uma aborto não é exatamente ter uma gripe… O que dói, no fundo, é discutir legalização dentro de um contexto onde a igreja condena os médicos e os pais por um aborto feito numa menina de 9 anos que tinha sido estuprada (!!) e que diz que a grande responável pela liberação da mulher no século 20 foi a máquina de lavar… Eu sei que não pode, mas às vezes dá um desânimo…

Comentario por Dani Matielo

Também sou a favor do aborto, mas em caso de violência contra a mulher, dependendo da idade, condição financeira e por aí vai. Não sou a favor de uma mulher de 18 anos abortar porque não quis engravidar. Vou repetir o que meu pai falou quando minha ex-esposa engravidou pela segunda vez (tenho dois filhos e graças a deus tomamos a decisão de tê-los): “hoje só engravida quem quer, tem camisinha masculina e feminina, pílula, diu e N outras alternativas.”

Comentario por marcel mouta

O pior, nesse caso da igreja, foi “absolver” o padrasto estuprador. Não discuto religião, mas achei que a posição da igreja foi muito hipócrita.

Comentario por Kakah

Existe um fato real: num país onde o aborto foi liberado, depois de 20 anos, a taxa de violência desse país caiu.

Comentario por Ana Paula

Bom, eu sou a favor do aborto; entretanto, não acho que ele deva ser utilizado como método contraceptivo. Acho o fim do mundo aquelas fulanas que saem por aí sem camisinha ou sem tomar pílula anticoncepcional (dá dor de cabeça e celulite, afinal né?), quando muito optam pelo “coito interrompido” e quando se vêem grávidas, abortam. É, não vou mentir não: tenho algumas questões éticas – acho aborto um remédio final, uma alternativa quando, apesar dos cuidados ou em decorrência de uma infelicidade, crime ou mesmo malformação fetal a gravidez é indesejada – mas também não tenho nada a ver com fulaninha que resolve abortar 56 vezes na vida, se ela convive bem com isso problema dela.

Zander, pelo que eu li a ONG não cobra não – curti o projeto. Não resolve o problema, mas chama a atenção para ele…

Comentario por Velvet Girl

Marcel,

Se hoje só engravidasse quem quisesse, não haveria tantos filhos por aí. Gravidez não-planejada existe MUITO, nenhum método é 100% seguro, nenhum método é adequado a 100% das mulheres, e não vivemos em uma sociedade que garante a autonomia da mulher sobre o próprio corpo. Procure aí seus amigos, primos, gente entre uns 25 e 35 com filhos pra ver se foi planejado ou surpresa. No fim das contas, tiveram o filho sem problema nenhum, e isso não vai mudar com lei alguma.

Não podemos pensar no nosso entorno. Eu, por exemplo, tenho educação, independência, informação e coragem suficiente pra dizer não, mas a empregada que trabalhava para a minha mãe não. Ela, que mal tinha coragem de falar com qualquer pessoa, tão grave era o complexo de inferioridade que tinha, precisa esperar três meses pra ver um ginecologista, não saberá exigir o uso da camisinha, não tem uma perspectiva do tempo como a gente, que faz mil planos pro fim de semana, viagens de férias etc. Ela só pensa em receber o salário, comprar comida e pagar o aluguel. E por isso tem que dar os filhos pra adoção.

Eu quero mudar a lei não pra garantir o meu direito sobre o meu corpo, porque eu já o conquistei no grito. Quero mudar a lei pra quem não tem voz.

Comentario por anarina

Aliás, Ana Paula, pelamor né? Primeiro que você nem diz qual é o país, fala como se fosse uma simples equação matemática. Isso foi um artigo besta do New York Times falando especificamente sobre a cidade de Nova York. De vários anos atrás.

1- Legalizar o aborto é, em primeiro lugar, combater a violência contra a mulher.
2- Combater a violência urbana é uma tarefa que exige uma série de medidas sócio-culturais de curto, médio e longo prazo.
3- Em nenhum país que legalizou o aborto a população simplesmente diminuiu a ponto de os serviços sociais daquele país subitamente darem conta do recado.
4- Se você estava falando que legalizar o aborto é reduzir o número de homens jovens pretos e pobres e, conseqüentemente, reduzir a violência, então eu só lamento seu preconceito descabido. Principalmente porque o aborto está presente no passado, no presente, no futuro e em todas as classes de todas as sociedades desse planeta.

Comentario por anarina

Descriminalizar o aborto é importante, mas acredito que a conscientização deva vir primeiro; Creio que grande parte, senão a maioria, dos casos de gravidez indesejada é consequência da irresponsabilidade ou ingenuidade cultural e não resultante de um acontecimento fortuito.

No caso de agressão sexual, independente de religião ou qualquer tipo de crendice, é um absurdo a simples necessidade de discutir o fato do óbvio recurso do aborto.

Comentario por Ed

Gostaria só de ressaltar uma coisa que a @anarina disse: nós, mulheres informadas, educadas etc, temos condições de não só deixar claro para um homem que não vai ter rala-e-rola se não tiver camisinha na parada, como também de fazer um aborto sem maiores consequências emocionais ou físicas. Eu posso pagar uma clínica – minha empregada não.
Foi o que eu disse: eu não vejo com bons olhos quem pretende fazer do aborto um método contraceptivo como outro qualquer; mas acho que isso é uma questão de convicção pessoal.

Comentario por Velvet Girl

[...] abomina chavões que está dizendo isso. E estou dizendo isso porque é a mais pura verdade ((há post escrito sob pseudônimo no Blog dos 500, projeto do qual faço parte,  falando justamente sobre [...]

Pingback por Top 5 motivos a favor da descriminalização do aborto | From Lady Rasta




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