Archivado en: 500 | Etiquetas: 499, aborto, excomunhão, mulher, projeto quinhentos, velvet girl
Na semana do tal dia Internacional da Mulher (que me encheu os pacovás por causa dos clichés – inclusive dos clichés feminsitas, bien compris) tivemos a notícia da excomunhão dos médicos e da mãe da menina que abortou uma gestação oriunda de estupro por parte do padrasto.
Marcelo Rubens Paiva (em post tuitado pelo Inagaki) falou sobre questão que para mim é a mais séria para as mulheres brasileiras: o direito ao aborto para todas as mulheres. Sim, porque sejamos honestos e realistas: as mulheres ricas podem perfeitamente abortar, não há nada que as impeça (vocês dirão que há a lei – mas a lei não é para ricos nesse país, todos sabem disso, right?)
E em razão de o Brasil ter uma legislação pra lá de ultrapassada no que tange ao aborto foi que me lembrei do projeto Women on Waves (que já esteve no Brasil): uma ONG de aborto assistido que singra os mares do mundo, aporta em países onde este seja proibido, faz palestras, consultas etc e depois se afasta da costa indo para mares internacionais, onde faz o aborto das mulheres.. Não preciso dizer que há gritarias ensurdecedoras quando a organização está ao largo de países super católicos ou muçulmanos né?
Seria ingenuidade minha acreditar que essa ação resolverá o problema; mas certamente ressalta a importância do tema. Espero que todas as mulheres desse país um dia possam conquistar o direito ao aborto.
15 comentarios hasta ahora
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Bom, lembra da Bastilha? É… armações à parte, a verdade é que sem movimentação popular político nenhum coloca seu corpo porco pra trabalhar muito menos para legislar sobre o que importa. Só sobre o que lhes rende. Então, somos nós, cidadãos, mulheres e homens, que temos que começar. ONG de fora também só arrecada… estamos aqui… aqui lutamos… nós por nós.
Comentario por ricardo penachi de camargo 09/03/2009 @ 18:40Ok, vamos colocar lenha na fogueira, deixando claro que eu sou a favor do aborto.
Questão 1: Se o aborto fosse legalizado, muito mais pessoas fariam sexo sem proteção por ter a garantia do aborto, certo? Assim, as doenças sexualmente transmissíveis não teriam um “boom”?
Opiniões, por favor!
Comentario por Kakah 09/03/2009 @ 18:56CLARO QUE NÃO! Em nenhum país que descriminalização esse desequilíbrio aconteceu.
Descriminalizar o aborto é dar à mulher maior autonomia sobre o próprio corpo, e não sinal verde pra fazer qualquer coisa. Abortar não é passear no parque tomando sorvete.
Aproveito e deixo os links pro documentário sobre aborto que fiz como TCC na faculdade.
em seis partes:
Comentario por anarina 09/03/2009 @ 19:001 http://www.youtube.com/watch?v=PGy21f212OY
2 http://www.youtube.com/watch?v=YY3RcmmS0hk
3 http://www.youtube.com/watch?v=k5WlInkenEw
4 http://www.youtube.com/watch?v=lUNvDG7bcLM
5 http://www.youtube.com/watch?v=kfLvyoqoSmc
6 http://www.youtube.com/watch?v=MNt7-giC21c
Bacana Ana, era uma dúvida que eu tinha.
Comentario por Kakah 09/03/2009 @ 19:07Eu acho que a cultura brasileira favoreceria, num primeiro momento, esse lance de todo mundo fazendo filho e abortando, mas, como você disse, a mulher exercerá direito sobre o seu corpo e, culturamente falando, passaria a valorizar-se mais, certo?
Até onde eu sei, essa ong não cobra pelo aborto. Muito pelo contrário.
Comentario por Zander 09/03/2009 @ 19:08Só para enfatizar a delicadeza da frase da Ana “Abortar não é passear no parque tomando sorvete”, eu não acho que as mulheres se preocupariam menos com engravidar se o aborto fosse permitido. Passar por uma aborto não é exatamente ter uma gripe… O que dói, no fundo, é discutir legalização dentro de um contexto onde a igreja condena os médicos e os pais por um aborto feito numa menina de 9 anos que tinha sido estuprada (!!) e que diz que a grande responável pela liberação da mulher no século 20 foi a máquina de lavar… Eu sei que não pode, mas às vezes dá um desânimo…
Comentario por Dani Matielo 09/03/2009 @ 19:25Também sou a favor do aborto, mas em caso de violência contra a mulher, dependendo da idade, condição financeira e por aí vai. Não sou a favor de uma mulher de 18 anos abortar porque não quis engravidar. Vou repetir o que meu pai falou quando minha ex-esposa engravidou pela segunda vez (tenho dois filhos e graças a deus tomamos a decisão de tê-los): “hoje só engravida quem quer, tem camisinha masculina e feminina, pílula, diu e N outras alternativas.”
Comentario por marcel mouta 09/03/2009 @ 19:29O pior, nesse caso da igreja, foi “absolver” o padrasto estuprador. Não discuto religião, mas achei que a posição da igreja foi muito hipócrita.
Comentario por Kakah 09/03/2009 @ 19:32Existe um fato real: num país onde o aborto foi liberado, depois de 20 anos, a taxa de violência desse país caiu.
Comentario por Ana Paula 09/03/2009 @ 20:03Bom, eu sou a favor do aborto; entretanto, não acho que ele deva ser utilizado como método contraceptivo. Acho o fim do mundo aquelas fulanas que saem por aí sem camisinha ou sem tomar pílula anticoncepcional (dá dor de cabeça e celulite, afinal né?), quando muito optam pelo “coito interrompido” e quando se vêem grávidas, abortam. É, não vou mentir não: tenho algumas questões éticas – acho aborto um remédio final, uma alternativa quando, apesar dos cuidados ou em decorrência de uma infelicidade, crime ou mesmo malformação fetal a gravidez é indesejada – mas também não tenho nada a ver com fulaninha que resolve abortar 56 vezes na vida, se ela convive bem com isso problema dela.
Zander, pelo que eu li a ONG não cobra não – curti o projeto. Não resolve o problema, mas chama a atenção para ele…
Comentario por Velvet Girl 09/03/2009 @ 20:26Marcel,
Se hoje só engravidasse quem quisesse, não haveria tantos filhos por aí. Gravidez não-planejada existe MUITO, nenhum método é 100% seguro, nenhum método é adequado a 100% das mulheres, e não vivemos em uma sociedade que garante a autonomia da mulher sobre o próprio corpo. Procure aí seus amigos, primos, gente entre uns 25 e 35 com filhos pra ver se foi planejado ou surpresa. No fim das contas, tiveram o filho sem problema nenhum, e isso não vai mudar com lei alguma.
Não podemos pensar no nosso entorno. Eu, por exemplo, tenho educação, independência, informação e coragem suficiente pra dizer não, mas a empregada que trabalhava para a minha mãe não. Ela, que mal tinha coragem de falar com qualquer pessoa, tão grave era o complexo de inferioridade que tinha, precisa esperar três meses pra ver um ginecologista, não saberá exigir o uso da camisinha, não tem uma perspectiva do tempo como a gente, que faz mil planos pro fim de semana, viagens de férias etc. Ela só pensa em receber o salário, comprar comida e pagar o aluguel. E por isso tem que dar os filhos pra adoção.
Eu quero mudar a lei não pra garantir o meu direito sobre o meu corpo, porque eu já o conquistei no grito. Quero mudar a lei pra quem não tem voz.
Comentario por anarina 09/03/2009 @ 20:39Aliás, Ana Paula, pelamor né? Primeiro que você nem diz qual é o país, fala como se fosse uma simples equação matemática. Isso foi um artigo besta do New York Times falando especificamente sobre a cidade de Nova York. De vários anos atrás.
1- Legalizar o aborto é, em primeiro lugar, combater a violência contra a mulher.
Comentario por anarina 09/03/2009 @ 20:472- Combater a violência urbana é uma tarefa que exige uma série de medidas sócio-culturais de curto, médio e longo prazo.
3- Em nenhum país que legalizou o aborto a população simplesmente diminuiu a ponto de os serviços sociais daquele país subitamente darem conta do recado.
4- Se você estava falando que legalizar o aborto é reduzir o número de homens jovens pretos e pobres e, conseqüentemente, reduzir a violência, então eu só lamento seu preconceito descabido. Principalmente porque o aborto está presente no passado, no presente, no futuro e em todas as classes de todas as sociedades desse planeta.
Descriminalizar o aborto é importante, mas acredito que a conscientização deva vir primeiro; Creio que grande parte, senão a maioria, dos casos de gravidez indesejada é consequência da irresponsabilidade ou ingenuidade cultural e não resultante de um acontecimento fortuito.
No caso de agressão sexual, independente de religião ou qualquer tipo de crendice, é um absurdo a simples necessidade de discutir o fato do óbvio recurso do aborto.
Comentario por Ed 09/03/2009 @ 21:15Gostaria só de ressaltar uma coisa que a @anarina disse: nós, mulheres informadas, educadas etc, temos condições de não só deixar claro para um homem que não vai ter rala-e-rola se não tiver camisinha na parada, como também de fazer um aborto sem maiores consequências emocionais ou físicas. Eu posso pagar uma clínica – minha empregada não.
Comentario por Velvet Girl 09/03/2009 @ 22:22Foi o que eu disse: eu não vejo com bons olhos quem pretende fazer do aborto um método contraceptivo como outro qualquer; mas acho que isso é uma questão de convicção pessoal.
[...] abomina chavões que está dizendo isso. E estou dizendo isso porque é a mais pura verdade ((há post escrito sob pseudônimo no Blog dos 500, projeto do qual faço parte, falando justamente sobre [...]
Pingback por Top 5 motivos a favor da descriminalização do aborto | From Lady Rasta 28/09/2009 @ 18:46