Às vezes me sinto perdida. Nos sentido literal e figurado. Me perco por não saber onde estou, como, quando e em quanto tempo vou chegar. Ou então, por não saber o que fazer, como agir e me portar diante de alguns fatos.
A primeira situação parece mais fácil. Posso pedir informações, me localizar por mapas, acessar a internet e descobrir novos caminhos. Ou simplesmente seguir em frente, me guiar por referências ou senso de direção, que muitas vezes nem tenho. Contudo, talvez eu continue perdida, mas ao mesmo tempo, conhecerei novos lugares e, quem sabe, eles poderão me levar a alguma saída, algum ponto ou cruzamento, proporcionar descobertas e, logo, esquecerei que estava perdida assim que chegar ‘ali’, ‘aqui’, ‘acolá’.
Por outro lado, a segunda situação envolve todos os pontos da primeira, é engraçado. Mas todos eles de forma abstrata. Me faz perder a referência, a direção que, neste caso, achava que tinha. Continuar perdida, no sentido figurado, muitas vezes me impede de ir além. Perco as paisagens, os lugares, as saídas e todos os pontos. Enxergo encruzilhadas e não sei como sair delas, fico andando em círculo. É como estar num labirinto. Sem querer, ignoro descobertas por estar com a cabeça cheia, seja de informações reais ou irreais.
Enquanto isso, quanta coisa passa por mim e eu, simplesmente, não vejo passar. E o quanto e o que deixo passar poderia alterar tudo? Me dar direções, mudar direções. Não é apenas o fato de seguir em frente. É prestar atenção no caminho. Aquela história de colher as flores, ouvir os pássaros, reparar ao redor. Não fechar os olhos nunca. Qualquer detalhe pode fazer uma enorme diferença.
Eu posso fazer a diferença. Eu escolho os caminhos. Eu decido se continuo em frente ou não. Eu. Mais ninguém.
E decidi seguir. Porém, com os olhos e a mente abertos.